Neurociência aplicada ao espaço urbano: forma urbana e a percepção espacial do eixo da Reta da Penha

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O estudo do meio urbano a partir de uma visão morfológica e neurocientífica possibilita compreender a interação e inter-relação direta do homem com o ambiente construído da cidade. Este trabalho objetiva investigar o impacto da forma urbana na percepção espacial e afetiva do Eixo da Reta da Penha, uma das principais avenidas da cidade de Vitória, capital do estado do Espírito Santo. Esta avenida estabeleceu, desde a sua concepção, o foco visual para o Convento da Penha, situado no município de Vila Velha, depois do canal de Vitória, no mesmo enquadramento visual da avenida. O desenvolvimento da área alterou alguns aspectos significativos da sua forma urbana. Para tanto, esta pesquisa aplicada e qualitativa utiliza questionários e o rastreamento ocular para averiguar a relação entre o meio físico e o meio psíquico, para discutir como a forma urbana pode influenciar nas relações homeostáticas da cidade, nas memórias, nas emoções e nos sentimentos dos seus usuários, assim como nos mecanismos de foco e atenção acionados. Como hipótese, a pesquisa averigua se o sentimento de maravilhamento se consolida em relação à visualização do convento. A segunda hipótese investiga o estresse causado pela Praça do Cauê, uma ruptura urbana no desenho da avenida. A pesquisa evidenciou que o sentimento de maravilhamento não se consolida em relação à visualização do convento, uma vez que não se consolida um foco de fixação do olhar aos voluntários testados. No tocante à segunda hipótese, no que se refere ao estresse causado pela Praça do Cauê, enquanto ruptura urbana no desenho da avenida, pode-se observar duas afirmações, uma vez que a pesquisa confirma o sentimento negativo provocado pela ruptura do eixo retilíneo, mas também evidencia o despertar positivo das sensações de ambiência, principalmente na escala do pedestre dentro da praça em si. Os resultados da pesquisa trazem contributos para o estudo da neurociência aplicada à arquitetura, ampliando a discussão sobre percepção afetiva do lugar e os elementos da forma urbana que se consolidam como gatilhos emocionais.

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