Influência da paisagem e da sazonalidade no atropelamento de vertebrados silvestres no entorno de uma área protegida no sudeste do Brasil

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A presença de rodovias margeando ou adentrando áreas protegidas é um fator agravante dos impactos negativos das estradas sobre a fauna silvestre. Número de espécies de fauna e flora associadas, características da paisagem no entorno, intensidade de tráfego, clima e sazonalidade são alguns dos elementos que podem influenciar as taxas de atropelamento de fauna no entorno de áreas protegidas O presente estudo teve como objetivo estabelecer os elementos da paisagem com maior influência e o efeito da sazonalidade e variáveis climáticas sobre o atropelamento de vertebrados silvestres em trecho de duas rodovias associadas ao Parque Estadual da Pedra Azul (PEPAZ), região serrana centro-sul do Espírito Santo, sudeste do Brasil. A coleta de dados foi realizada mensalmente, durante o período de janeiro a dezembro de 2015, em trecho de 20 km em cada rodovia (BR-262 e ES-164), totalizando 60 dias de amostragem por trecho. Foram registrados 355 eventos de atropelamento de vertebrados silvestres (Amphibia = 10; Reptilia = 40; Aves = 155; Mammalia = 149; vertebrado indeterminado = 1), totalizando pelo menos 82 táxons afetados na região (Amphibia = 4; Reptilia = 11; Aves = 47; Mammalia = 20). Entre as espécies registradas, uma ave e dois mamíferos são classificados como ameaçados de extinção. A taxa de atropelamento de vertebrados foi equivalente nas duas rodovias, sendo aves o grupo mais afetado na ES-164 e mamíferos na BR-262. Foi obtido um maior número de registros na estação chuvosa, embora não tenha sido observada diferença entre o número de registros obtidos em cada estação do ano quando comparadas as rodovias. Houve correlações positivas significativas entre a taxa de atropelamento mensal e a temperatura, embora a precipitação não tenha influenciado os eventos analisados. Quando avaliados os elementos da paisagem, a distância em relação ao corpo d’água mais próximo e o tipo de uso e ocupação do solo foram variáveis importantes para explicar o padrão de distribuição dos registros ao longo dos trechos de rodovia amostrados. Os atropelamentos de mamíferos estiveram associados com áreas de macega; aves com cultivos agrícolas e áreas edificadas; e répteis com áreas de pastagem. Os dados apresentados demonstraram que a estação do ano e a temperatura influenciaram os eventos de atropelamento e que o efeito de cada rodovia foi diferenciado para cada classe de vertebrados devido a peculiaridades no tipo de uso e ocupação do solo no entorno de cada trecho amostrado. As duas rodovias afetaram negativamente a fauna de vertebrados no entorno do PEPAZ, podendo acarretar impactos sobre toda biodiversidade local e regional, uma vez que essa área protegida integra um importante corredor ecológico da Mata Atlântica do Espírito Santo. É recomendado o estabelecimento de medidas para redução da velocidade e a instalação de mecanismos de transposição para a fauna nos trechos de rodovia adjacentes ao PEPAZ para conservação da biota em longo prazo.

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