Torcidas organizadas antifascistas: uma análise a partir do estudo de caso da resistência caipira

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Embora a Ultras Resistência Coral do Ferroviário Atlético Clube da cidade de Fortaleza (CE), fundada em 2005, venha a ser considerada a primeira torcida antifascista no Brasil, a partir de 2018 verificou-se a emergência de diversas torcidas de futebol autodenominadas antifascistas, em reação a um contexto de ascensão do conservadorismo. A união de torcedores de diferentes clubes, inclusive rivais, protagonizou, por exemplo, protestos contra o governo Bolsonaro e a favor da democracia. Um dos coletivos surgidos à época foi a Torcida Resistência Caipira do Botafogo de São Paulo, com atuação marcante em posicionamentos políticos do clube da cidade de Ribeirão Preto. Esta dissertação objetiva analisar as estratégicas de ação das torcidas antifascistas a partir do estudo de caso da Torcida Resistência Caipira do Botafogo/SP. Metodologicamente, foram realizadas entrevistas online com membros da Resistência Caipira, com o intuito de compreender seu histórico, as causas defendidas, os processos organizativos e as relações com o clube e as demais torcidas. Foi realizada também uma entrevista com o atual presidente do Botafogo/SP. O pesquisador também realizou uma observação, em dia de jogo do Botafogo/SP, na Arena Nicnet, para verificar o pré-jogo, a atuação da torcida Resistência Caipira durante a partida, o pós-jogo e a relação entre os membros da Resistência Caipira e a outras torcidas organizadas do clube. Os resultados apontam, no caso estudado, para a defesa de um conceito amplo de “antifascismo” - vinculado a pautas progressistas e à crítica à “arenização” do futebol - e para um processo de formalização da torcida, como estratégia de legitimação diante do clube e das demais torcidas organizadas do Botafogo/SP.

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