Territorialidade e vulnerabilidade na ocupação das margens do Rio Pardo em Ibatiba E.S.

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Este trabalho analisa de que forma a relação entre o ser humano e o meio ambiente influencia a construção da identidade territorial e as condições de vida da população ribeirinha que habita as margens do rio Pardo, no município de Ibatiba, Espírito Santo, em um contexto marcado pela ausência de políticas públicas integradas e por processos históricos de marginalização socioambiental. A pesquisa fundamenta-se em abordagem qualitativa, articulando revisão bibliográfica com dados empíricos obtidos por meio de entrevistas com moradores das áreas ribeirinhas. O estudo contextualiza a formação histórica do município e as dinâmicas de ocupação urbana às margens do rio, evidenciando as contradições do processo de modernização local, especialmente no que se refere à precariedade da infraestrutura urbana, ao acesso desigual a serviços básicos e à exposição recorrente a riscos ambientais. Analisa-se, ainda, como as práticas cotidianas e as experiências vividas pelos moradores produzem uma relação ambígua com o rio, que atua simultaneamente como elemento estruturante da memória, do pertencimento e da identidade coletiva, e como fator de vulnerabilização social e ambiental. Os resultados demonstram que a marginalização das populações ribeirinhas não decorre de escolhas individuais, mas de um modelo de urbanização excludente que reforça desigualdades territoriais e fragiliza os vínculos identitários. Conclui-se que a superação desse quadro exige políticas públicas integradas e sensíveis às dinâmicas locais, capazes de articular planejamento urbano, gestão ambiental e reconhecimento das identidades territoriais, como condição para a promoção da justiça socioambiental e do direito à cidade.

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