Disciplinas e normalizações nas escolas: estratégias de controle sobre as drogas por meio do empreendedorismo moral

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Esta pesquisa de mestrado investigou a forma com que os profissionais da educação vêm tratando do uso de drogas nas escolas. Inicialmente analisou a política de combate às substâncias psicoativas em nível mundial, a chamada “Guerra às Drogas”, capitaneada pelos Estados Unidos e referendada pela Organização das Nações Unidas (ONU), e sua influência na elaboração de políticas públicas sobre estas substâncias no Brasil. À luz da biopolítica, mapeou os objetivos e consequências dessas políticas, tanto no comércio quanto no consumo, capturadas pela racionalidade neoliberal estadunidense presente na Teoria do Capital humano, que apresenta o sujeito de nossa época como um empreendedor de si, localizando no consumo de droga um impedimento a essa construção. Por meio de uma pesquisa etnográfica, amparada na observação participante e no trabalho de campo em escolas da região de Vila Velha/ES que ofereçam Educação de Jovens e Adultos (EJA), identificou os projetos educacionais voltados para as políticas de drogas, além dos discursos e práticas apresentados e difundidos pelos professores e alunos. Percebeu-se, com isso, que a escola se afina com a teoria do empreendedorismo de si quando se firma como uma instituição que visa normalizar e docilizar os corpos e prepará-los para o mercado de trabalho, tendo a droga por obstáculo nesse processo. Entre as estratégias observadas para prevenir e/ou evitar o consumo de substâncias psicoativas, a presença do empreendedorismo moral foi uma constante, haja vista a difusão de um conhecimento transversal com bases e conhecimentos rasos de legislação, medicina, dogmas religiosos, amparados em senso comum, devido, em parte, à falta de formação profissional sobre o tema. Como consequências da reprodução dos discursos médico-jurídicos das legislações sobre drogas, da associação preconceituosa entre a pobreza, a criminalidade e as drogas, junto com o moralismo do discurso dos professores, existe a estigmatização dos alunos envolvidos com substâncias psicoativas e os efeitos negativos nos processos de interação.

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