Potencial terapêutico do kefir de leite em modelos experimentais de mucosite intestinal e colite ulcerativa
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Resumo
A inflamação intestinal pode ser desencadeada por diversos fatores, incluindo doenças e tratamentos farmacológicos. Essa condição compromete a qualidade de vida dos pacientes. Dentre as inflamações intestinais, destacam-se a mucosite intestinal, uma reação adversa induzida por determinados quimioterápicos, e a colite ulcerativa, uma doença inflamatória intestinal crônica. Ambas afetam o trato gastrointestinal e estão associadas a sintomas, como perda de peso, diarreia e dor abdominal, impactando negativamente o bem-estar dos pacientes. O tratamento dessas condições é complexo, oneroso e pode apresentar dificuldades de adesão, tornando essencial a busca por terapias complementares com potencial terapêutico, como o uso de probióticos, que conferem benefícios à saúde humana, principalmente no trato gastrointestinal. Nesta tese, foram conduzidos dois estudos com o objetivo de investigar os efeitos do kefir de leite na inflamação intestinal: (1) "Efeito enteroprotetor do kefir de leite em modelo experimental de mucosite intestinal induzida por 5-fluorouracila" e (2) "Efeito do
tratamento com kefir de leite na colite ulcerativa induzida por DSS: explorando seus mecanismos de ação". No primeiro estudo, os resultados demonstraram que o kefir tradicional (KT) reduziu o índice de atividade da doença (DAI) no nono dia, sem efeito sustentado, enquanto o kefir comercial (KC) promoveu essa redução no décimo primeiro dia. A recuperação do peso corporal ocorreu no décimo segundo dia para o KT e no décimo primeiro dia para o KC. Ambos os tratamentos melhoraram a consistência fecal, mas não apresentaram alterações significativas na motilidade (35,74%-52,43%) e na permeabilidade intestinal (0,55-1,0 ng/ml). A mucosite intestinal levou a um aumento na produção de H₂O₂ e na apoptose no jejuno, efeitos que foram atenuados pelo kefir, sugerindo uma ação antioxidante e antiapoptótica. O kefir não modulou os níveis de IL12, IL-6 e IL-10, embora o KC tenha reduzido a expressão de IL-6 em relação ao grupo
tratado com 5-FU. O TNF-α aumentou na mucosite, sem reversão pelos tratamentos, e o KC promoveu um aumento adicional desse marcador. O INF-γ também se elevou, sem diferenças significativas entre os grupos tratados. No segundo estudo, que avaliou a colite ulcerativa, observou-se que o kefir começou a apresentar efeitos benéficos a partir do terceiro dia de tratamento, reduzindo os sintomas clínicos (DAI). A perda de peso foi significativa no grupo DSS, enquanto os animais tratados com Kefir iniciaram a recuperação no quinto dia de tratamento. Não foram observadas diferenças significativas no comprimento do cólon ou no peso do baço. O kefir não modulou a inflamação local. A análise da regeneração celular revelou uma redução na expressão de LGR5 nos grupos DSS e DSS+KEFIR, sem impacto na expressão de BMI1, sugerindo que o kefir não interferiu diretamente na recuperação celular. Além disso, não houve variação na
expressão da ocludina, assim como na motilidade e na permeabilidade intestinal. No entanto, o kefir reduziu os níveis de H₂O₂ no cólon, atenuando o estresse oxidativo induzido pela colite. Um efeito semelhante foi observado na apoptose das células epiteliais, que foi significativamente aumentada no grupo DSS, mas reduzida no grupo DSS+KEFIR. Em conclusão, os achados desta tese demonstram que o kefir de leite apresenta efeitos benéficos na inflamação intestinal, promovendo uma ação antioxidante e antiapoptótica, reforçando seu potencial como uma terapia complementar promissora.
