Avaliação do impacto clínico do uso do sensor de monitoramento contínuo de glicose na gestão glicêmica dos pacientes beneficiados pela dispensação via SUS

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O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença prevalente em todo o mundo, com alta mortalidade, sendo um grande desafio para a saúde pública. O Brasil é o sexto país com o maior número de adultos com DM, aproximadamente 15,7 milhões. Existem diferentes tipos de DM, cada um com características clínicas distintas. O diagnóstico é baseado na medição da glicose plasmática, utilizando critérios como glicemia em jejum, glicemia pós-prandial e hemoglobina glicada (HbA1c). O controle glicêmico eficaz é fundamental para reduzir complicações a longo prazo. A dificuldade no manejo da doença torna o controle glicêmico difícil favorecendo o aparecimento de complicações micro e macro vasculares. O automonitoramento da glicemia representa um grande avanço no tratamento do diabetes, permitindo um controle mais preciso. O sistema FreeStyle Libre (FSL) é um dispositivo que oferece vantagens como redução na frequência de hipoglicemia e melhoria no controle glicêmico. O Estado do Espírito Santo (ES) tem investido em dispositivos de monitoramento contínuo de glicose para pacientes, alinhado ao princípio de integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, a literatura não traz investigações sobre os reais benefícios percebidos pelos pacientes do SUS. Esse estudo objetivou investigar os impactos clínicos da adoção desses sensores, visando aprimorar a gestão glicêmica dos pacientes beneficiados pelo SUS. Realizou-se um estudo exploratório-descritivo, retrospectivo, analisando prontuários eletrônicos de pacientes que utilizaram o sensor de monitoramento contínuo de glicose (grupo caso - S) e pacientes diabéticos sem o uso do dispositivo (grupo controle - C) entre janeiro de 2020 e dezembro de 2022. O estudo foi aprovado pelo CEP-UVV (64014522.1.0000.5064) e SESA. O grupo S incluiu 108 pacientes diabéticos com processos vigentes para o sensor FSL e no grupo C randomizou-se 108 pacientes diabéticos com processos vigentes para insulinas. Utilizou-se estatística descritiva e testes não paramétricos (Mann-Whitney, Wilcoxon, Qui-Quadrado, Correlação de Spearman) para avaliar associações entre variáveis. Considerou-se diferença significativa quando p<0,05. O grupo S registrou taxas mais baixas de HbA1c comparado ao grupo C (p<0,05), sugerindo melhor controle glicêmico. A análise comparativa entre os grupos S e C evidenciou diferenças estatisticamente significativas na HbA1c entre grupos desde T0 (p<0,05). No grupo S a HbA1c mostrou tendência à redução em T1, T2, T3, e T4, mas sem significância estatística. O tempo no alvo glicêmico (TIR) variou de 50,20% (T2) a 57,1% (T4). A varredura/dia teve aumento significativo pós uso do FSL. O impacto da origem da prescrição (público x privado) na média de HbA1c foi estatisticamente significativo. O grupo S alcançou mais frequentemente a meta de HbA1c. Os resultados indicaram que o grupo que utilizou o sensor FSL apresentou melhor controle glicêmico, evidenciado pela redução da HbA1c. Contudo, apesar dessas melhorias, a porcentagem de pacientes que atingiram as metas permaneceu relativamente baixa.

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