Gestão farmacêutica no âmbito da atenção primária à saúde: gerenciamento dos estoques antes e após implantação de inventário rotatico em farmácias publicas.
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Resumo
INTRODUÇÃO: Dada a essencialidade na assistência, os medicamentos demandam uma boa gestão de seus estoques de forma que sejam mantidos níveis adequados à garantia do atendimento aos usuários, requerendo para tanto a utilização de ferramentas que auxiliem neste processo. A imprecisão entre saldos físicos e virtuais dos medicamentos repercute na qualidade do planejamento das ações da Assistência Farmacêutica, desde a etapa da aquisição à dispensação sendo necessária a adoção de estratégias destinadas à melhoria dos processos de gerenciamento e controle, a partir da sistematização do acompanhamento dos estoques de sua acuracidade. O presente estudo tem por objetivo avaliar a gestão de estoque de medicamentos no âmbito da APS antes e após a implantação de inventário rotativo nas Farmácias Públicas e a percepção de farmacêuticos e gestores da AF sobre as alterações observadas. Trata-se de estudo transversal, de abordagem quantitativa e qualitativa, realizada no período de abril/2024 a setembro/2024. A pesquisa quantitativa se deu pela análise estatística dos resultados apurados entre estoque físico e virtual dos medicamentos na fase pré–intervenção e pós-intervenção. A pesquisa qualitativa, utilizou-se da metodologia do grupo focal, sendo coletadas as percepções dos farmacêuticos das farmácias selecionadas e da Gerência de Assistência Farmacêutica quanto aos resultados obtidos. Ao farmacêutico do almoxarifado foi aplicada a entrevista semiestruturada. Os resultados mostraram a evolução de 26,36% para 48,68% na taxa de acuracidade geral das farmácias no município. Quanto às divergências, registrou-se no pós-intervenção o crescimento de 92,05% dos medicamentos com estoques sem divergência, redução de 28,05% no estoque físico superior ao virtual, e de 37,99% no estoque virtual superior ao físico. Quanto ao tempo de armazenamento dos medicamentos nas farmácias, revelou-se no pósintervenção a redução de 15,81% do quantitativo de medicamentos com estoque superior a 2 meses e o crescimento de 15,08% no quantitativo de estoque de até 2 meses. No que diz respeito às divergências monetárias entre o estoque físico e virtual, houve redução em seus valores após a execução do inventário rotativo, sendo o grupo “Monitorados” o que apresentou os menores valores monetários tanto antes como após a intervenção. A pesquisa qualitativa foi convergente aos resultados qualitativos apontando um maior conhecimento quanto ao perfil de consumo das farmácias,
melhorias na organização e maior integração entre as equipes e a gestão da Assistência Farmacêutica. Com base nos resultados obtidos pode-se concluir que a
sistematização de acompanhamento dos estoques por meio do inventário rotativo mostrou-se mais exequível frente à realidade das farmácias no âmbito da Atenção Primária à Saúde em comparação ao método do inventário geral. Da mesma forma, revelou-se eficaz e eficiente na melhoria da acuracidade, na redução das divergências e no tempo de armazenamento dos estoques, sendo relevante nas ações futuras da Assistência Farmacêutica e, portanto, na disponibilização dos medicamentos aos usuários.
