Indústria fashion e meio ambiente: percepções sobre duas ''marcas sustentáveis'' na moda do Espírito Santo

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Este trabalho tem como objetivo compreender o processo de concepção de duas marcas capixabas de vestuário, que em suas práticas vinculam o fashion ao ecológico e como este aspecto se articula com seus processos produtivos promovendo uma "moda mais sustentável". Para realizar tal estudo de caso, a metodologia desenvolveu-se por meio de pesquisa exploratória bibliográfica fundamentada no referencial teórico da Ecologia Política. Analisou-se a defesa da necessidade de mudança de paradigma na relação entre seres humanos e natureza por meio da construção de uma racionalidade ambiental em substituição à racionalidade econômica vigente, com base em Leff e Guattari. Tal construção deve envolver também questões sociais e subjetivas, incluindo saberes interdisciplinares. A pesquisa abordou, ainda, critérios de Justiça Ambiental e suas premissas de distribuição e reconhecimento com foco em uma preocupação intergeracional que constata que a degradação ambiental e os riscos que ocorrem a partir dela são distribuídos de forma desigual, atingindo, especialmente, o que, na indústria fashion representa a transferência de externalidades e alto custo humano e ambiental. Após os debates recentes sobre sustentabilidade, novos estudos vêm comprovando a necessidade de substituição dos valores antropocêntricos, ainda tão arraigados na sociedade, pelos valores ecocêntricos, de forma a promover uma relação mais harmônica entre sociedades humanas e ambiente. Os resultados deste estudo revelam que os discursos proferidos pelos criadores-gestores das duas marcas, embora dotados de boas intenções, nem sempre se articulam com suas práticas, estas ainda reféns das regras do sistema capitalista vigente.

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