Relações de gênero e trabalho:uma análise a partir da percepção dos bibliotecários do sistema integrado de bibliotecas da Universidade Federal do Espírito Santo (SIB/UFES)

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Estudar sobre as relações de gênero no mundo do trabalho é antes de tudo um exercício reflexivo sobre em que medida o essencialismo operacionalizou a divisão sexual do trabalho e em como tal segmentação enquanto construção sociocultural delimitou o espaço das mulheres em profissões feminizadas. Nesta direção, a profissão bibliotecária exercida majoritariamente na Antiguidade, Idade Média e Moderna por homens, no início do século XX passou por um processo de feminilização e feminização e inerente a isso, bibliotecários e bibliotecárias passaram a lidar com os reveses dos estereótipos de gênero no mercado de trabalho. O objetivo geral deste trabalho foi compreender como as relações de gênero e de divisão sexual do trabalho são percebidas no cotidiano laboral dos bibliotecários e bibliotecárias lotados no Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Federal do Espírito Santo (SIB/UFES). Para tanto, foi realizada uma pesquisa do tipo participação observante no SIB/UFES onde do total de 45 profissionais através de entrevista semi-estruturada 10 bibliotecários e 15 bibliotecárias responderam um questionário com perguntas abertas e fechadas. Na segunda etapa baseado na técnica Análise de Conteúdo, criou-se categorias apriorísticas para interpretação dos dados a posteriori. Os resultados indicaram que os bibliotecários do SIB/UFES não possuem uma visão tão clara sobre o termo divisão sexual do trabalho, a maioria desconhece a sua existência em seu cotidiano profissional, no entanto a maioria ratifica através de certas ações observadas nas entrevistas, a prática cultural androcêntrica arraigada na estrutura de nossa sociedade. Ainda tratando-se de um universo onde a maioria são bibliotecárias, os estereótipos de gênero são notáveis e retroalimentados. A divisão sexual do trabalho existe de maneira assimétrica na maioria dos cargos do SIB/UFES e a falta de compreensão sobre as relações de gênero e estruturas de poder, idem.

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