Evidências de alterações bioquímicas e reprodutivas em Astyanax lacustris (Lutken, 1875) (Teleostei: characiformes) do Rio Doce após desastre ambiental em Mariana/MG
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No dia 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão, localizada em Mariana, Minas Gerais, se rompeu liberando mais de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério
de ferro, enriquecido em metais, no leito do Rio Doce. O objetivo desse estudo foi avaliar
os efeitos deletérios na biologia reprodutiva e na resposta bioquímica dos organismos de
Astyanax lacustris expostos aos metais contidos nos rejeitos de mineração despejados no
Rio Doce. O estudo foi realizado no Rio Doce, na região de Baixo Guandu, Espírito Santo,
Brasil. Amostras mensais foram coletadas no período de um ano. Astyanax lacustris apresentou reprodução múltipla, latência na formação das gônadas e correlação positiva
entre o dano histológico da gônada e concentrações de Al e Fe. As gônadas masculinas
apresentaram 47,36% de células imaturas invadindo o lúmen da gônada e, as gônadas
femininas, apresentaram 39,64% de atresia. Além disso, foram observadas alterações
bioquímicas no fígado de A. lacustris, com efeitos claros de sazonalidade, estando
diretamente relacionadas à alta concentração de Al e Fe. Apesar disso, o processo de
bioacumulação de metais, pelos organismos, apresentou efeitos de sazonalidade apenas
nas brânquias, por serem o primeiro órgão de contato com a água contaminada. Os dados
gerados no presente estudo fornecem uma visão geral da saúde do ecossistema da região, evidenciando os efeitos prejudiciais causados à população de A. lacustris afetada pelo rompimento da barragem de Fundão.
