Influência da colonização microbiológica na estrutura e composição das assembleias de invertebrados associados a detritos foliares em um riacho de Mata Atlântica, sudeste do Brasil

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A colonização de detritos foliares por micro-organismos em riachos pode alterar a sua qualidade nutricional e palatabilidade para os invertebrados detritívoros. O objetivo desse estudo foi avaliar o efeito do tempo de condicionamento microbiológico na estrutura das assembleias de invertebrados associados a detritos foliares em um riacho de Mata Atlântica. Foi hipotetizado que o tempo de condicionamento microbiológico altera a composição química dos detritos foliares e a estrutura trófica das assembleias de invertebrados associados. Folhas de Miconia chartacea foram incubadas em litter bags de malhas fina (0,5 mm) e grossa (10 mm) no córrego Macuco (ES). Nos intervalos de 0, 7, 15, 30, 45 e 60 dias quatro réplicas de cada tratamento foram amostradas para a análise da sua composição química (N, P, K fenóis e taninos), dureza foliar e avaliação da colonização por hifomicetos e invertebrados aquáticos. As taxas de decomposição foram lentas (< -0,0044 dia-1) e não apresentaram diferença sem ambos os tratamentos. As concentrações de nutrientes, fenóis e taninos diminuíram ao longo da incubação, sendo que as concentrações de N atingiram valores similares aos iniciais a partir do 15 dias. A dureza dos detritos permaneceu elevada nos primeiros 30 dias e diminuiu significativamente (40%) no 45º dia. As taxas de biomassa fúngica não diferiram ao longo dos tempos de incubação. No entanto, as taxas de esporulação foram maiores no 30º dia, sendo que Lunulospora curvula e Anguillospora filiformis foram as espécies mais abundantes (68 e 28%, respectivamente). Os valores de densidade e biomassa de invertebrados foram maiores nos tempos finais, enquanto a riqueza taxonômica diminuiu ao longo do experimento. Os organismos fragmentadores só foram encontrados após 45 e 60 dias de incubação. Estes resultados indicaram que o condicionamento microbiano alterou a palatabilidade dos detritos de M. chartacea pela redução da dureza foliar e sugerem que os detritos de riachos tropicais necessitam de tempos de condicionamento mais longos para se tornarem mais atrativos para os invertebrados detritívoros.

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