"Se não está bom pra você, eu abro a sua barriga e coloco de volta": a (in)visibilidade da violência obstétrica nas narrativas das experiências de parto

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A violência de gênero constitui-se como uma violação dos Direitos Humanos, afetando diretamente o direito à vida e à saúde física e mental, em desacordo com o direito fundamental à segurança pública garantido pela Constituição Federal de 1988. Dentre suas diversas manifestações, a violência obstétrica permanece como um fenômeno ainda pouco explorado na produção científica, especialmente quando comparada a outras formas de violência de gênero, além da recorrente ausência de registros específicos que a diferenciem. O presente estudo teve como objetivo analisar a compreensão, as formas de acesso à informação e a dimensão do conhecimento sobre os tipos de violência obstétrica entre mulheres atendidas pela Clínica Escola de Psicologia e Nutrição da Universidade Vila Velha (UVV), a partir da sua vivência de parto, bem como entre mulheres elegíveis ao perfil da pesquisa que participaram de forma on-line. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, realizada por meio de entrevistas semiestruturadas. Os resultados indicaram que as participantes vivenciaram situações de violência obstétrica, principalmente em decorrência da falta de informação sobre a caracterização desse tipo de violência, da dificuldade em reconhecê-la e da naturalização de práticas abusivas sustentadas pela hierarquização do saber médico. Evidenciam-se, assim, múltiplas formas de violência no período gravídico-puerperal, apontando para a necessidade de fortalecimento de ações institucionais e políticas públicas que garantam um cuidado ético, integral e humanizado às mulheres, aos recém-nascidos e às famílias.

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