Redes sociais digitais: interdiscursividades entre sujeição e resistência nos padrões de beleza no instagram
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Resumo
A dissertação analisa como beleza, autoimagem e autoapresentação de jovens mulheres de 18 a 25 anos, moradoras de Vila Velha e Vitória (ES), são produzidas,
reguladas e negociadas no Instagram, em um regime de visibilidade plataformacentrado. Articulando contribuições da filosofia, da sociologia e dos estudos de
gênero, o trabalho compreende a beleza como construção histórica e cultural vinculada a poder, distinção e controle dos corpos, bem como como operador de
branquitude e hierarquias de visibilidade no contexto brasileiro. A partir dos referenciais de campo, capitais, machine habitus, simulacro, psicopolítica e governança algorítmica, o estudo investiga de que modo métricas, formatos e lógicas de recomendação organizam quem aparece, como aparece e com que valor
simbólico. Metodologicamente, adota abordagem qualitativa, teórico-critica sob uma ótica interpretativa, com triangulação entre literatura acadêmica, análise de conteúdos públicos do Instagram e grupos focais com jovens mulheres usuárias ativas da plataforma, selecionadas por critérios de exposição intensa e recorte interseccional de raça/cor, classe e território. Os resultados evidenciam a centralidade da validação algorítmica da beleza, sentimentos recorrentes de inadequação, cansaço estético e intensificação da gestão da aparência, bem como a racialização da visibilidade e o apagamento de corpos negros, gordos e periféricos. Ao mesmo tempo, emergem fissuras, críticas e micro-resistências, nas quais as participantes tensionam padrões normativos e reivindicam pluralidade de corpos e estéticas. A dissertação contribui para a Sociologia Política da beleza e das plataformas ao explicitar a estética como tecnologia de subjetivação e dispositivo de distribuição desigual de valor, reconhecimento e visibilidade em regimes algorítmicos.
