Kefir e antiepilépticos: neuroproteção em modelo experimental de crises convulsivas
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Resumo
A epilepsia é uma doença neurológica com alta prevalência global caracterizada por
alterações paroxísticas anormais na atividade elétrica dos neurônios com
consequências cognitivas, sensoriais, motoras e psiquiátricas. A etiologia multifatorial
está relacionada ao aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica (BHE),
consequente aumento de citocinas inflamatórias e estresse oxidativo cerebral
favorecendo à disfunção neuronal. Embora os fármacos antiepilépticos (FAEs)
combaterem os fatores causais das convulsões o seu uso não impossibilita o
desenvolvimento da epilepsia. Os resultados insatisfatórios são provenientes da
refratariedade ao tratamento, aumento da taxa de morbidade, mortalidade e, mais
recentemente, tem-se observado a participação da disbiose intestinal. Neste contexto,
a busca por terapias coadjuvantes não farmacológicas com probióticos se demonstra
promissora, especialmente através da modulação da microbiota intestinal. Assim, o
probiótico kefir - um nutracêutico com comprovadas ações antioxidantes e anti inflamatórias- hipotetizamos ser importante para auxiliar o tratamento da epilepsia.
Logo, este estudo translacional teve como objetivo avaliar se o consumo de kefir
isolado e associado aos FAEs poderia reduzir a quantidade, severidade e período de
latência das crises convulsivas em um modelo experimental de epilepsia induzidas
por pentilenotetrazol (PTZ) em camundongos. Noventa camundongos C57 machos,
foram distribuídos aleatoriamente em 9 grupos (n=10), que receberam diazepam
(10mg/Kg), levetiracetam (50mg/kg), kefir artesanal (300µL/Kg), kefir comercial
(300µL/Kg), kefir e diazepam (300µL/Kg; 10 mg/Kg); kefir e levetiracetam (300µL/Kg;
50 mg/Kg); kefir comercial e diazepam (300µL/Kg; 10mg/Kg); kefir comercial e
levetiracetam (300µL/Kg; 50mg/Kg), à exceção do grupo controle, que recebeu
apenas solução salina. O tratamento foi realizado por um período de 5 dias antes da
administração do PTZ (60 mg/Kg). No sexto dia, após a administração, foram
realizadas as filmagens (30min) e interpretadas pela Escala de Raccini modificada,
quantificando os scores, total de crises, período de latência e tipos de crises. Após a
eutanásia, o sangue total e cérebro foram coletados para análise de estresse
oxidativo, apoptose, oxidação proteica, peroxidação lipídica e quantificação de
neurônios. Como resultado, os camundongos submetidos ao tratamento com
probióticos atenuou as crises convulsivas, aumentou o período de latência, reduziu a
geração de espécies reativas de oxigênio e apoptose, além de reduzir a expressão de
oxidação de proteínas e peroxidação lipídica cerebral e plasmática evidenciando os
efeitos neuroprotetores do probiótico kefir. Portanto, o consumo de probióticos
demonstrou ser promissor como coadjuvante na atuação com antiepilépticos.
