Homicídio e sentimentos de adolescentes em situação de risco psicossocial

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Este trabalho teve como objetivo verificar os sentimentos que o homicídio gera em adolescentes em situação de risco psicossocial, em relação à vítima e ao agressor. Para isso, foram averiguados dados coletados, porém não analisados, sobre sentimentos da tese de doutorado intitulada “Moralidade e valor da vida: um estudo sobre adolescentes em situação de risco psicossocial” (BORGES, 2011). Os dados dessa pesquisa foram coletados em duas organizações não governamentais (ONG) que ofertavam amparo a sujeitos em situação de risco psicossocial, na cidade de Vitória – ES, e seu caráter foi qualitativo e quantitativo. O método clínico Piagetiano foi utilizado, e participaram 32 adolescentes em situação de risco psicossocial, sendo 16 do sexo masculino e 16 do sexo feminino. Os dados foram coletados objetivando investigar o juízo de adolescentes em situação de risco psicossocial acerca do crime de homicídio e, consequentemente, averiguar o valor que dão à vida abordando várias temáticas, dentre elas sentimentos. A coleta dos dados concedidos para serem analisados neste trabalho teve como objetivo identificar o que sentiam os adolescentes em relação à vítima de homicídio e ao agressor, mediante as histórias reais de violência, além de verificar o vínculo com o agressor e com a vítima. Esses dados foram analisados qualitativamente pela teoria comportamental, sendo realizada revisão da literatura envolvendo autores clássicos e contemporâneos que abordam temas como homicídio, homicídio na adolescência, adolescente em situação de risco psicossocial e sentimentos. Os dados demonstraram variação de sentimentos descritos, tanto em relação à vítima, quanto em relação ao agressor. Nenhum sentimento apareceu em larga escala e não representou grande frequência entre as respostas dos participantes. As características da vítima e a forma como elas se comportavam influenciaram a descrição dos sentimentos, até mesmo quando eram relacionados à atitude do agressor, que em alguns momentos apareceram como adequadas. Se a vítima emitisse comportamentos inadequados, ou mantivesse uma relação com pouco vínculo com o participante, sentimentos de indiferença eram observados, demonstrando baixa sensibilidade em relação à vida de outras pessoas. Esses resultados se fazem relevantes para a segurança pública, ao apreciar que a descrição dos sentimentos nomeia estados corporais do sujeito, acarretando probabilidade de o mesmo emitir comportamento igual a seus sentimentos, quando estão em situações semelhantes. Portanto, políticas de segurança pública que promovam amparo aos adolescentes, como condições de igualdade social, reformulando as regras de atribuir valor à vida, são fundamentais para prevenir práticas de violência.

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