Perfil epidemiológico e toxicológico de vítimas de suicídio no Estado do Espírito Santo, Brasil

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O suicídio é um fenômeno complexo que constitui um grave problema de saúde pública no mundo, sendo influenciado por fatores psicológicos, biológicos e sociais e, portanto, estudos com abordagem ampla e programas de prevenção são necessários. O levantamento epidemiológico realizado mostrou a necessidade de um estudo minucioso do número de casos e da periodicidade que possa detectar a evolução do número de óbitos, com o máximo de informações do perfil do suicida e sua análise toxicológica. Assim, este trabalho teve como objetivo realizar uma análise epidemiológica e toxicológica da mortalidade por suicídio nos municípios do estado do Espírito Santo (ES), Brasil, no período compreendido entre os anos de 2016 e 2022. Para tanto, foram analisados óbitos por suicídio nos municípios do Espírito Santo, usando-se dados do exame necroscópico e toxicológico do Departamento Médico Legal/Secretaria Segurança Pública do ES, no período de 2016 a 2022, com análise de tendências nesse período, incluindo as fases pré, durante e pós pandemia da Covid-19. No período estudado, foram registrados 923 óbitos por suicídio, no estado do Espírito Santo, sendo o ano de 2022 o de maior incidência de suicídio (pós pandemia da Covid19), com 17,44% dos casos, seguido do ano de 2020 (15,93%) e de 2021 (15,82%). Em todo o período analisado, o sexo masculino correspondeu a 73,46% dos casos, enquanto a média de idade foi de 41,5 anos, quando analisamos todos os casos de suicídios. O mês de janeiro foi o de maior incidência, no período estudado. O exame toxicológico foi realizado em 74% das vítimas, sendo que em 18,1% das vítimas foi detectada a presença de álcool; em 7% a presença de anfetaminas; em 12%, de antidepressivos; em 12%, presença de ansiolíticos; opioides em 8,3%; e em 16%, a presença de cocaína. Houve um aumento significativo de suicídios registrados no período pós pandemia no Espírito Santo o que corrobora a hipótese de que a mortalidade por suicídio tende a aumentar no Brasil e no estado. Este estudo sugere que a utilização de psicotrópicos resultaram em maior probabilidade (chance 5,1 vezes maior) de suicídio no período da pandemia. Em relação ao uso de ansiolíticos ou cocaína, a probabilidade foi aumentada em 906,4 e 11,7 vezes, respectivamente. Portanto, é imperativo criar políticas específicas de proteção, tornando-se necessárias ações da Vigilância Epidemiológica, bem como mais pesquisas embasadas por dados forenses, que venham contribuir para uma melhor compreensão desse grave problema de saúde pública.

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