Mulheres e espaço público: usos e apropriações femininas em praças

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As cidades contemporâneas são resultado de um planejamento urbano predominantemente orientado pela experiência masculina, perpetuando a desigualdade de gênero e negligenciando a vivência das mulheres no espaço público. Essa disparidade se reflete no acesso e na forma como as mulheres utilizam e se apropriam dos espaços públicos. Nesse contexto, os espaços livres urbanos devem ser inclusivos e promover uma vivência mais amigável para as mulheres. O objetivo principal desta pesquisa é analisar os elementos físico-morfológicos que influenciam as interações entre as mulheres e os espaços públicos de praças urbanas. O estudo adota uma abordagem quanti-qualitativa, de natureza aplicada, exploratória e descritiva, tendo como estudo de caso as praças Agenor Moreira e Haroldo Rosa em Vila Velha-ES. A pesquisa se desdobrou em cinco etapas metodológicas: 1) construção do referencial teórico e metodológico; 2) análise físico-morfológica; 3) análise comportamental; 4) análises gerais e correlações. Inicialmente, foi realizada uma revisão bibliográfica, seguida pela identificação de aspectos físico-morfológicos das praças que poderiam influenciar o uso feminino desses espaços. A seguir, foram aplicadas técnicas de mapeamento comportamental, contagem de pessoas e entrevistas semiestruturadas para compreender as percepções das mulheres sobre os espaços. Por fim, os dados foram organizados e correlacionados para identificar padrões nas apropriações femininas nas praças estudadas. Os resultados destacam as diferenças nas reformas das praças Agenor Moreira e Haroldo Rosa, com a primeira apresentando aprimoramentos substanciais e a segunda, intervenções mais modestas. Além disso, as características físicas e sociais das praças influenciam diretamente o uso e a percepção das mulheres. Observou-se uma maior presença masculina, enquanto as mulheres desempenham múltiplas funções nos espaços públicos. As sugestões para tornar os espaços mais inclusivos abordam questões de acessibilidade, segurança, diversidade, participação comunitária, educação e conscientização. Essas recomendações visam promover um uso mais igualitário e inclusivo dos espaços públicos, levando em consideração não apenas as características das praças, mas também o seu entorno e a interação com a comunidade local.

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