Avaliação da função renal através de biomarcadores convencionais e não-convencionais pré e pós uso de AINEs
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Resumo
Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) têm sido amplamente utilizados há mais de um século para o alívio da dor e da inflamação, apesar de seu uso prolongado estar associado ao comprometimento da função renal. Embora dados experimentais e clínicos abordem esse tema há décadas, ainda há uma lacuna de conhecimento sobre o potencial nefrotóxico individual dos AINEs mais frequentemente utilizados no Brasil, inclusive quando consumidos a curto prazo. Este estudo teve como objetivo avaliar, por meio de biomarcadores convencionais (creatinina, ureia e cistatina C) e não convencionais (enzimúria), a função renal de pacientes expostos ao uso agudo (7 dias) em doses terapêuticas de AINEs com diferentes seletividades para COX-1 e COX-2 (cetoprofeno, etodolaco e nimesulida). O estudo foi conduzido com 60 pacientes no distrito de Itaperuna, Boa Ventura, RJ. Os resultados dos marcadores convencionais não evidenciaram alterações significativas entre os tempos de avaliação (T0, T3 e T7; p>0,05), exceto por um aumento de 13% nos níveis de ureia ao final do tratamento com cetoprofeno (T0: 34 ± 10 vs. T7: 39 ± 11 mg/dL; p<0,05). Entre os biomarcadores não convencionais, observou-se, por meio da enzimúria, um aumento de 35% da GGT no terceiro dia de tratamento com etodolaco (42 ± 28 vs. 57 ± 30; p<0,05). Quando a enzimúria foi corrigida pela creatinina urinária, foi identificado
um aumento de 3 vezes nos níveis de TGO (AST) em pacientes tratados com cetoprofeno durante todo o tratamento (p<0,05) e um aumento de 2 vezes no LDH no grupo tratado com etodolaco, apenas no sétimo dia (p<0,05). Outros parâmetros, como função hepática, eletrólitos sanguíneos e urinários e proteinúria, não
apresentaram alterações significativas (p>0,05). Conclui-se que, de acordo com os biomarcadores convencionais avaliados, o uso agudo dos AINEs investigados em doses terapêuticas não compromete a função renal, hepática ou o equilíbrio eletrolítico de forma transitória, indicando segurança para uso agudo nos grupos avaliados. No entanto, a enzimúria sugere um maior risco de dano tubular em indivíduos tratados com cetoprofeno, mesmo em doses terapêuticas. Nosso estudo abre novas oportunidades para futuras investigações sobre a segurança dos AINEs mais usados no Brasil, inclusive em grupos mais vulneráveis (como nefropatas e diabéticos), incentivando a ampliação da avaliação clínica pelo método da enzimúria por TGO (AST) e LDH, dada sua relevância, fácil execução e baixo custo.
