Avaliação dos serviços farmacêuticos de apoio clínico à alta hospitalar na unidade de cardiologia de um hospital-escola
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Resumo
Boas práticas no cuidado voltado à alta hospitalar são importantes para evitar agravos aos pacientes e reincidência de internação. Todavia, a implementação e execução de serviços clínicos direcionados à transição hospital-domicílio abrangem questões complexas, tais como, a disponibilidade de recursos humanos, colaboração interprofissional e alinhamento entre fluxos de trabalho. Nesse contexto, propôs-se produzir, na presente pesquisa, dados pertinentes ao aprimoramento dos serviços farmacêuticos voltados à alta hospitalar através de um ensaio clínico randomizado que distribuiu os participantes em três diferentes grupos denominados Cuidados usuais, Intervenção I e intervenção II. O primeiro grupo não foi contemplado por serviços farmacêuticos voltados à transição hospital-domicílio. Já o segundo, recebeu serviços de alta e o terceiro, serviços de alta e pós-alta hospitalar. Participaram do estudo usuários da Unidade de cardiologia do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (HUCAM), localizado em Vitória-ES. Os dados coletados foram obtidos de prontuário eletrônico, aplicação de questionários, entrevistas e intervenções do farmacêutico. Os indicadores empregados para avaliar os resultados do estudo foram o grau de ansiedade/depressão, a adesão à farmacoterapia, discrepâncias de tratamento, desfechos indesejáveis, satisfação do usuário, avaliação médica e outros.
A análise descritiva usou desvios-padrão amostrais dos grupos investigados e o padrão de distribuição de dados relativo a cada variável foi verificado através dos
testes de normalidade Shapiro-Wilk e Anderson-Darling. A grande maioria dos conjuntos de dados não apresentou padrão normal de distribuição e foi submetida aos testes não paramétricos Kruskall-Wallis e U de Mann-Whitney. Ao todo, foram contabilizadas 74 intervenções farmacêuticas na alta hospitalar e 35 na consulta pósalta hospitalar. A maior parte das intervenções envolveu discrepâncias identificadas na conciliação de medicamentos. Foram observadas, nos grupos intervenção, taxas menores de retorno ambulatorial em prazo inferior a 6 meses e desfechos indesejáveis (reincidência de internação hospitalar e visitas não planejadas a unidades de emergência) durante os 30 dias seguintes à alta hospitalar. A comparação par a par entre os grupos alcançou significância estatística tanto no confronto entre Cuidados usuais e Intervenção I, quanto entre Cuidados usuais e Intervenção II. Todavia, em relação ao quantitativo de discrepâncias, os resultados foram significativamente melhores, em termos estatísticos, no grupo Intervenção II; e o número de causas de problemas (reais ou potenciais) relacionados à farmacoterapia também foi menor (com significância estatística) em ambos os grupos Intervenção. A avaliação médica da evolução clínica dos pacientes foi outra variável que alcançou resultado positivo nos grupos intervenção, com diferença significativamente estatística entre Cuidados
usuais e Intervenção II. Além disso, a redução dos graus de ansiedade e depressão também foi mais expressiva nos grupos intervenção, com significância estatística em alguns dos parâmetros avaliados. Com base nos resultados obtidos, pode-se concluir que os serviços farmacêuticos de apoio clínico à alta hospitalar avaliados neste ensaio agregaram proveitos diretos tanto à evolução clínica dos pacientes como à instituição hospitalar que sediou a pesquisa, contudo, o conjunto de serviços aplicados ao grupo Intervenção II, que contemplou tanto cuidados de alta como pós-alta hospitalar, apresentou resultados mais expressivos.
