Atividade antioxidante, anti-inflamatória e estudo de estabilidade de Rubus idaeus e Rubus fruticosus em monodroga e combinadas

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Rubus fruticosus e Rubus idaeus são espécies cujos frutos, amora-preta e a framboesa, respectivamente, possuem notáveis propriedades bioativas. Essas frutas são amplamente consumidas na forma de chás, frequentemente comercializados como “chá de frutas vermelhas” e promovidos com alegações de alto potencial antioxidante. No entanto, a maioria dos estudos que comprovam suas atividades bioativas se baseiam no uso das folhas como monodrogas. Este estudo teve como objetivo avaliar a atividade antioxidante, anti-inflamatória e quimiopreventiva de câncer de infusões de R. idaeus e R. fruticosus, tanto isoladamente (monodrogas) quanto em combinações, bem como a equalidade química e biológica das infusões ao submeter suas drogas vegetais a estabilidade acelerada, a fim de avaliar o tempo seguro de armazenamento e validade das drogas secas para o preparo dos chás. Trata-se de um estudo pioneiro na análise de infusões de espécies combinadas. Os frutos foram adquiridos de fornecedor qualificado e realizadas análises de umidade, antioxidante (DPPH) e teor de antocianinas para definir o tempo de secagem ideal para os experimentos (24, 48 e 96h). Após essa etapa, foi determinada a composição centesimal dos frutos secos e então preparadas as infusões na concentração de 13,33 mg/mL com tempo de infusão de 5 minutos. Foram testadas infusões individuais de R. ideaus e R. fruticosus como monodrogas e três combinações dessas. As análises químicas incluíram a determinação total de antocianinas, flavonoides, polifenóis e taninos por métodos espectrofotométricos. A determinação de compostos fenólicos e flavonoides também foi realizada por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC). A capacidade antioxidante foi avaliada por ensaios químicos pelos métodos ABTS, DPPH e FRAP. Além disso, a atividade biológica foi investigada in vitro por meio de ensaios de citotoxicidade, redução de óxido nítrico e ânion superóxido, redução de citocinas inflamatórias, efeito protetor contra peróxido de hidrogênio e indução de quinona redutase. Para o estudo de estabilidade, as monodrogas foram mantidas em câmara climática (40º C; 70% UR) durante seis meses e, a cada 45 dias, foram submetidas à análise do aspecto, teor de umidade e qualidade microbiológica. Neste mesmo período, as infusões foram submetidas a atividade antioxidante total por DPPH e o teor de compostos fenólicos por HPLC. Os dados obtidos indicaram que todas as infusões apresentaram atividades antioxidante e anti-inflamatória, com resultados mais expressivos para as monodrogas em determinados parâmetros, como a R. ideaus, que apresentou maior inibição do ânion superóxido, enquanto R. fruticosus foi a única amostra a apresentar efeito protetivo contra peróxido de hidrogênio. Foi observado maiores atividades anti-inflamatórias também para as infusões de espécies isoladas, a saber, Rubus fruticosus sendo capaz de reduzir a expressão de citocinas IL-1 em 43% e R. ideaus como a amostra que mais reduziu óxido nítrico. Em relação ao estudo de estabilidade, foi possível observar diferentes comportamentos dos compostos fenólicos ao longo do estudo de estabilidade, enquanto o ácido gálico e ácido tânico aumentou com ao final da estabilidade, o ácido clorogênico foi degradado, inferindo na atividade antioxidante encontrada, que aumentou para todas as amostras. Em relação a segurança microbiológica, os resultados foram satisfatórios e no que tange ao exame sensorial, apesar de apresentar alterações ao longo do estudo, foi considerado como viável para consumo. O estudo de estabilidade foi conclusivo como satisfatório, o que indica que as drogas vegetais secas dos frutos de amora e framboesa, pelos métodos utilizados, podem ser armazenadas em temperatura ambiente por até um ano, desde que vedadas e ao abrigo da luz, elevada temperatura e umidade, para a finalidade de realizar infusões com benefício antioxidante. Os achados deste estudo reforçam o potencial bioativo das infusões de R. idaeus e R. fruticosus, especialmente na modulação do estresse oxidativo e da inflamação, sendo mais ativas as suas infusões como monodrogas, desmistificando crenças populares que induzem os consumidores que “misturas potencializam efeitos terapêuticos”. A relevância dos dados observados alerta possíveis interações entre espécies vegetais no que tange a redução de efeitos terapêuticos e efeitos tóxicos, bem como sugere a necessidade de estudos adicionais para explorar a aplicabilidade terapêutica das monodrogas estudadas, incluindo investigações em modelos in vivo e ensaios clínicos. Além disso, considerando o uso popular dessas infusões e seu potencial funcional, pesquisas futuras poderiam avaliar a inclusão destas espécies na Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, bem como avaliar biodisponibilidade dos compostos bioativos e a estabilidade dessas substâncias a longo prazo e durante o processamento industrial.

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