Bioacumulação e estresse oxidativo em Geophagus brasiliensis (Quoy & Gaimard, 1824) expostos a alimentos contaminados com chumbo em diferentes temperaturas

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A ocorrência de chumbo nos lixiviados de indústrias é de grande interesse por estarem presentes em grandes quantidades e serem constantemente descarregados em ambientes aquáticos. Os efeitos deletérios do chumbo podem ser agravados por variantes ambientais, como a temperatura da água. No Brasil, a variação da temperatura da água é elevada, com isso, populações de espécies de ampla distribuição geográfica como Geophagus brasiliensis vivem em águas com diferentes temperaturas médias. Assim, o objetivo desse trabalho foi avaliar o estresse oxidativo e a bioacumulação de chumbo em Geophagus brasiliensis expostos a diferentes temperaturas e alimentados com ração contendo o e 60 mg de chumbo/kg de ração. Trinta e dois juvenis de G. brasiliensis foram expostos ao chumbo por via alimentar, em concentrações nominais de 0 e 60 mg de chumbo/kg de ração em duas diferentes temperaturas (25 e 28°C), totalizando 4 tratamentos (25/0, 25/60, 28/0 e 28/60). Os animais foram alimentados diariamente com ração comercial contendo as concentrações específicas de chumbo, na taxa de 1,5% do peso vivo. Foram realizadas as análises de estresse oxidativo, bioacumulação e danos genotóxicos. A contagem de micronúcleo foi significativamente maior no tratamento 25/60 quando comparado ao tratamento 25/0 e ao tratamento 28/60. As brânquias e o fígado apresentaram um aumento significativo na concentração de chumbo, nos peixes alimentados com 60 mg de chumbo/kg de ração. A atividade das enzimas Catalase e GST, nas brânquias, responderam de forma similar ao acúmulo do chumbo, com um aumento nos peixes expostos ao tratamento 25/60. No intestino e no músculo, foi observado um aumento na concentração de chumbo nos peixes expostos ao tratamento 25/60 quando comparado aos peixes expostos ao tratamento 25/0. O fato de G. brasiliensis possuir uma grande distribuição geográfica expõe as populações da espécie a diferentes variações de temperatura. Assim, diferentes populações estão sujeitas a diferentes impactos na ingestão do chumbo. Sendo assim, temperaturas mais altas pode ser um fator benéfico aos peixes contaminados por chumbo pois pode dificultar a absorção e metabolização do metal e facilitar a excreção, diminuindo os danos causados no organismo.

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