Homeostase de ferro em micorrizas
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Resumo
O número crescente de indústrias processadoras de minério de ferro (Fe) no litoral do Espírito Santo tem contribuído na emissão e deposição do material sólido particulado de ferro (MSPFe) e dióxido de enxofre, causador da chuva ácida. A combinação do Fe e a acidez da chuva ácida podem aumentar a disponibilidade do Fe no solo podendo afetar o crescimento das plantas nativas, especialmente de restinga, e causar alterações nas comunidades de micro-organismos do solo. Os fungos micorrízicos (FMs) são micro-organismos benéficos que protegem as espécies vegetais contra níveis elevados de metais no solo. No entanto, escassos são os estudos sobre o efeito do MSPFe na ecologia de FM e no estabelecimento da associação em plantas nativas expostas à contaminação de Fe. Este trabalho descreve o efeito de cinco doses MSPFe sobre o crescimento e ionoma dos fungos ectomicorrízicos Pisolithus tinctorius e Pisolithus albus e os parâmetros de crescimento e estabelecimento da simbiose de plantas de aroeira (Schinus terebinthifolius Raddi) e o fungo Claroideoglomus etunicatus expostos à concentrações de Fe (0, 1, 2 e 4 mM de FeSO4) de pH 3,0 e 5,5. Os resultados mostraram que o tratamento com o MSPFe estimulou a produção de biomassa de P. albus e inibiu em P. tinctorius, enquanto os menores valores de pH extracelular e maiores conteúdos de Fe micelial foram encontrados em P. tinctorius . Em P. albus, foram encontrados os maiores conteúdos de P e Mg na dose mais elevada de MSPFe enquanto em P. tinctorius elevados conteúdos de B e Cu foram detectados. As duas espécies apresentaram incremento no conteúdo de Mn com o aumento das doses de MSPFe. As plantas de aroeira micorrizadas apresentaram maior altura, peso seco da parte aérea e raiz quando comparadas às não micorrizadas que paresentaram claros sinais de toxidez ao Fe. A colonização micorrízica foi afetada principalmente em soluções de pH 3,0 e na maior dose de Fe (4 mM de FeSO4). A maior porcentagem de eficiência micorrízica foi à dose de 1mM de FeSO4 em pH3,0. Os resultados sugerem que fungos pertencentes ao mesmo gênero, podem adotar estratégias de tolerância distintas à exposição ao MSPFe e a utilização de FMAs associados à plantas nativas aumenta a tolerância das plantas ao Fe e pode ser uma estratégia inovadora para recuperação ambiental.
