Mistura probiótica derivada de kefir em crianças com transtorno do espectro autista: estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo

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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizado por prejuízo nas interações sociais e padrões de comportamento restritos. Evidências recentes apontam a microbiota intestinal como moduladora de aspectos neurocomportamentais e inflamatórios relacionados ao TEA, fomentando o interesse por intervenções probióticas e simbióticas. Este estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo avaliou os efeitos de uma mistura probiótica derivada de kefir (K11) e uma formulação enriquecida com vitaminas, aminoácidos e minerais (K11- TMAX) em crianças com TEA. Um total de 182 crianças de 3 a 11 anos foram designadas a três grupos: placebo, K11 e K11-TMAX, com avaliações conduzidas na linha de base, 45 e 90 dias. O desfecho primário foi o Composto de Comportamento Adaptativo (CCA) da escala Vineland-3. Os resultados secundários incluíram os demais subdomínios da escala Vineland-3, o escore do Autism Diagnostic Observation Schedule – Second Edition (ADOS-2), da Childhood Autism Rating Scale (CARS) além de marcadores inflamatórios e metabólicos. Após 90 dias, os grupos K11 e K11-TMAX apresentaram melhorias significativas (p < 0,05) no CCA, nos subdomínios de comunicação, habilidades de vida diária, habilidades motoras e comportamentos internalizantes e externalizantes. O grupo K11 também mostrou melhora significativa na socialização. As avaliações pelo ADOS-2 demonstraram reduções estatisticamente significativas nos sintomas nucleares do TEA nos dois grupos de intervenção, enquanto a CARS aplicada por professores revelou diminuição da gravidade clínica no contexto escolar. As análises bioquímicas revelaram níveis significativamente reduzidos de insulina e Proteína CReativa nos grupos K11 e K11-TMAX, juntamente com uma redução significativa nos níveis de calprotectina fecal no grupo K11-TMAX. Houve redução significativa nos nível de cortisol sérico nos grupos de intervenção simbiótica no dia 45, sugerindo melhora no perfil inflamatório sistêmico. A análise da microbiota indicou um aumento significativo na contagem de Lactobacillus e uma redução de Escherichia coli nos grupos probióticos. Tais alterações estão associadas à restauração da eubiose e ao potencial incremento na produção de metabólitos neuro ativos e anti-inflamatórios. Os resultados indicam que K11 e K11-TMAX são seguros e capazes de gerar benefícios clínicos, metabólicos e microbiológicos em crianças com TEA, alinhando-se à hipótese do eixo intestino-cérebro e configurando-se como intervenções adjuvantes promissoras no manejo multidimensional.

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