Influência do herbicida glifosato na composição química e na qualidade de cafés arábica e conilon
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Resumo
O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo e para que as culturas mantenham a produtividade são utilizadas técnicas de manejo, como a aplicação de herbicidas. O produto mais utilizado para esse fim é o glifosato, que possui ação sistêmica e atua inibindo a enzima 5-enolpiruvilchiquimato-3-fosfato sintase, presente na rota do chiquimato. Esta via é responsável pela formação de fenilalanina, triptofano e tirosina, importantes para o crescimento e metabolismo secundário de plantas. Caso não haja compensação da produção desses aminoácidos por outra via, a composição química e, consequentemente, qualidade, de cafés tratados com glifosato pode ser diferente de cafés não tratados. Portanto, o objetivo do presente trabalho foi verificar a influência do uso de glifosato na composição química e no perfil sensorial de cafés arábica e conilon colhidos em diferentes anos-safra. Os grãos de cafés arábica Catuaí e conilon Diamante 108 foram submetidos a 7 tratamentos (6 com glifosato e 1 controle negativo), os quais correspondiam a diferentes bicos (leque e comum/cônico) e datas de aplicação (outubro e dezembro; outubro e fevereiro; e outubro, dezembro e fevereiro) de Round Up WG nos corredores entre os cafeeiros. Após a avaliação da umidade, cinzas, rendimento, teor de glifosato, ácidos clorogênicos, cafeína, compostos voláteis e perfil sensorial por análises quimiométricas observa-se que o maior tempo entre a aplicação de glifosato e a colheita do café resultaram em um menor teor da molécula no grão e, apesar de ser translocado para o grão, o glifosato
não alterou a composição química e o perfil sensorial de C. arabica e C. canephora.
