Além das grades e o carcereiro invisível: luta do egresso em face ao racismo
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Resumo
Esta dissertação se baseia na célebre frase do abolicionista Joaquim Nabuco:"A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil". A partir desse ponto de partida, o estudo teve como objetivo analisar as implicações e reflexos do racismo sobre indivíduos que passaram pelo sistema carcerário, com ênfase na vida dos egressos. Buscou-se apresentar uma visão aprofundada sobre como o racismo estrutural influencia a trajetória dos egressos do sistema prisional e compreender se os impactos transcendem o campo socioeconômico, destacando as especificidades raciais e as implicações subjetivas na autoimagem desses indivíduos. A investigação dos impactos do racismo na percepção do egresso e os seus efeitos na reintegração social deles é fundamental para uma análise abrangente da vida póssistema prisional. Utilizando-se de uma base bibliográfica diversificada, o estudo pretendeu desvendar as complexidades do racismo estrutural, que perpetua desigualdades e privilégios raciais de forma sutil e sistêmica. O trabalho se concentra particularmente no sistema prisional, onde a população carcerária é desproporcionalmente composta por pessoas negras, resultado de práticas discriminatórias e do viés racial na aplicação da lei. A pesquisa revela como o racismo afeta significativamente a reabilitação e reintegração social dos egressos, influenciando suas oportunidades de emprego, educação, moradia e saúde mental. A análise é embasada em autores como Silvio Almeida e Michelle Alexander, que discutem o racismo estrutural e suas manifestações nas políticas públicas e no sistema de justiça criminal. O estudo está estruturado em três blocos principais: o primeiro contextualiza historicamente o racismo na sociedade brasileira, utilizando clássicos da sociologia brasileira e autores contemporâneos; o segundo apresenta dados e pesquisas sobre o racismo no sistema prisional; e o terceiro analisa dados coletados em campo sobre as dimensões do racismo estrutural na vida dos egressos. Os resultados apontam para a necessidade de reformas no sistema penal e políticas públicas que promovam a igualdade racial. A esperança é que as descobertas desta pesquisa possam contribuir para o debate de uma sociedade mais justa e inclusiva, onde todos possam ter oportunidades equitativas de reintegração e crescimento.
