A implantação de serviços de cuidado farmacêutico em ambulatório multidisciplinar de hospital de referência em AVC reduz a reinternação de pacientes pós AVC em decorrência de fibrilação atrial não valvar em uso de anticoagulante oral direito

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O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é considerado um evento de alto impacto na vida humana e é um peso econômico mundial. Novas tecnologias como o uso dos anticoagulantes orais diretos (ACODs) representam um avanço na prevenção secundária ao AVC de etiologia cardioembólica em pacientes com Fibrilação Atrial (FA) que é uma forma de arritmia cardíaca que está associada a risco elevado de morte, afetando mais de 30 milhões de pessoas no mundo representando um aumento de custo crescente, pressionando os sistemas de saúde em diversos países. Como as taxas de recorrência de AVC podem ser influenciadas por não adesão ao tratamento, o cuidado farmacêutico com seus diversos serviços como educação em saúde, acompanhamento farmacoterapêutico, dispensação, gestão da condição de saúde, conciliação de medicamentos, revisão da farmacoterapia e monitorização terapêutica de medicamentos podem melhorar os resultados em pacientes pós-AVC. O objetivo foi avaliar o impacto do serviço de cuidado farmacêutico no paciente pós AVC, sobre a taxa de reinternação de pacientes em uso de ACODs em um hospital público de referência. Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo de abordagem quantitativa, ao qual foram identificados dois grupos, um grupo sendo exposto aocuidado farmacêutico (CF) e o grupo não exposto (sem CF). Ambos foram acompanhados no período de março de 2015 a dezembro de 2022 para determinar a taxa de reinternação por AVC. Foram incluídos pacientes que tiveram diagnóstico de AVC com indicação para uso de ACOD, pacientes com AVC prévio que já estavam em uso de ACOD e todos os pacientes em uso de ACODs acompanhados no ambulatório hospitalar e excluídos os pacientes que foram a óbito antes da alta hospitalar, além de pacientes que reinternaram na unidade de AVC, porém foi descartado AVC recorrente. Foram acessados 680 prontuários eletrônicos de pacientes que tiveram AVC em decorrência de FA. A maioria dos pacientes era do sexo masculino com idade superior a 75 anos. 70 pacientes (10%) reinternaram com novo AVC e foi evidenciado que o grupo CF teve maior adesão ao tratamento e menor taxa de readmissão do que o grupo sem CF. Dos 70 pacientes readmitidos, 24 afirmaram ser aderentes ao tratamento e desses, somente 6 apresentaram risco de interação medicamentosa que pudesse justificar um novo AVC. Em relação ao custo da readmissão dos pacientes foram incluídos ultra-sonografias do sistema circulatório, tomografia da cabeça, pescoço, coluna vertebral, tórax, membros superiores, membros inferiores, abdômen e pelve, consultas médicas e de outros profissionais da saúde, terapia nutricional, diárias hospitalares, órteses e próteses em neurocirurgias quando necessárias e exames laboratoriais. O custo médio da readmissão por paciente foi de R$ 2.857,87. As readmissões por AVC dos pacientes do estudo ocorreram em maior quantidade no grupo sem CF, assim, o cuidado farmacêutico mostrou ser uma alternativa eficaz para sanar esse problema.

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