Análise da vulnerabilidade à nefropatia induzida por contraste iodado em pacientes atendidos em Hospital Universitário Federal

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Os meios de contraste iodados (MCI) são amplamente utilizados em exames diagnósticos por imagem devido à sua capacidade de realçar estruturas anatômicas. No entanto, seu uso pode ocasionar efeitos adversos, sendo a nefropatia induzida por contraste (NIC) uma das complicações mais relevantes, especialmente em pacientes com fatores de risco. Apesar dos avanços, ainda existem lacunas quanto ao perfil de risco da população brasileira submetida a esses procedimentos. Este estudo retrospectivo avaliou 417 pacientes submetidos a tomografia computadorizada (TC) e angiografia no Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-UFES), com o objetivo de identificar a incidência de NIC e os principais fatores de risco associados, a partir da comparação dos níveis de creatinina sérica (CrS) antes e após a administração do MCI. Os resultados indicaram maior ocorrência de NIC no sexo feminino, especialmente entre aquelas submetidas à via intravenosa (26,5% vs. 9,2%; OR ajustado: 4,18). Além disso, pacientes com doença renal crônica (DRC) apresentaram risco significativamente elevado (46,2% vs. 14,4%; OR ajustado: 5,70), de forma mais acentuada quando submetidos à via intra-arterial (54,5%; OR ajustado: 6,43). Diabéticos também tiveram risco aumentado de NIC quando submetidos administração intra-arterial do meio de contraste (21,7% vs. 10,5%; OR ajustado: 2,49). Curiosamente, a hipertensão arterial (HA) demonstrou possível efeito protetor nos pacientes da via intravenosa, provavelmente pela influência nefroprotetora dos anti-hipertensivos utilizados por esses pacientes (10,2% vs. 21,1%; OR ajustado: 0,30). Conclui-se que fatores como sexo feminino, DRC e diabetes mellitus (DM) estão associados a maior risco de NIC, especialmente quando o MCI é administrado por via intra-arterial. Os achados reforçam a necessidade de protocolos profiláticos individualizados, considerando características clínicas e comorbidades, a fim de reduzir a iatrogenia em populações vulneráveis.

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